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O que os dados permitem afirmar com segurança?

  • Foto do escritor: Delma Silva
    Delma Silva
  • há 9 horas
  • 4 min de leitura

Em uma análise econômico-financeira, encontrar um número é relativamente simples.


Mais difícil é responder:



O que esse número realmente permite concluir?


Essa diferença parece pequena, mas separa informação de evidência.

Um extrato apresenta lançamentos.

Uma planilha organiza valores.

Um contrato estabelece condições.

Uma demonstração contábil registra informações sobre uma empresa.

Uma série histórica mostra o comportamento de determinado indicador.

Todos esses elementos são dados.

Mas nenhum deles, isoladamente, necessariamente responde à pergunta que motivou a análise.

É justamente aí que começa o trabalho técnico.


Dado não é conclusão


Imagine um contrato cuja taxa de juros esteja acima da média de mercado.

Esse dado pode ser relevante.

Mas o que ele permite afirmar?

Permite constatar uma diferença.

Não necessariamente explicar sua origem.

Muito menos, sozinho, definir suas consequências jurídicas.

Antes de avançar, outras perguntas precisam ser feitas:

A modalidade comparada é equivalente?

As taxas estão expressas na mesma periodicidade?

O período de contratação é compatível?

Existem garantias?

Há características específicas de risco?

A referência utilizada corresponde efetivamente à operação?

O mesmo ocorre em uma análise empresarial.

Uma empresa pode apresentar lucro.

Esse número está correto.

Mas ele não permite concluir, isoladamente, que a empresa possui liquidez.

Da mesma forma, crescimento de faturamento não significa necessariamente aumento de valor econômico.

E patrimônio elevado não significa disponibilidade de caixa.

Um dado pode ser verdadeiro e, ainda assim, insuficiente para sustentar determinada conclusão.


A pergunta vem antes do cálculo


Esse é um princípio que considero essencial no trabalho econômico-financeiro.

Antes de escolher a fórmula, precisamos compreender a pergunta.

Em uma perícia, por exemplo, não basta reconstruir centenas de lançamentos se o cálculo produzido não responde ao ponto controvertido do processo.

Em um contrato, não adianta comparar dezenas de taxas se as operações utilizadas como referência não são comparáveis.

Em um valuation, aplicar corretamente um múltiplo não resolve o problema se as premissas sobre geração de caixa, risco e crescimento não representam a realidade econômica da empresa.

O cálculo responde ao modelo que construímos.

Por isso, uma fórmula pode estar matematicamente correta e produzir uma conclusão tecnicamente inadequada.


Quando um dado se transforma em evidência?


Na minha leitura, pelo menos cinco elementos precisam conversar entre si.

Fonte.

De onde veio a informação?

Contrato? Extrato? Demonstração contábil? Banco Central? Documento processual? Base oficial?

Contexto.

Em qual circunstância aquele dado foi produzido?

Comparabilidade.

As grandezas utilizadas na análise realmente podem ser comparadas?

Método.

Existe um caminho técnico justificável entre a informação e o resultado?

Reprodutibilidade.

Outro profissional, utilizando os mesmos documentos e critérios, conseguiria compreender e reproduzir o raciocínio?

Quando esses elementos estão presentes, o número deixa de ser apenas uma informação isolada.

Ele começa a adquirir força como evidência técnica.


A ausência de informação também é informação


Há outro aspecto importante.

Nem sempre os documentos disponíveis permitem responder à pergunta apresentada.

Pode faltar uma memória de cálculo.

Pode existir uma lacuna no histórico de pagamentos.

Pode não ser possível identificar a origem de determinado lançamento.

Ou os documentos podem apresentar informações conflitantes.

Nessas situações, existe uma tentação perigosa: preencher as lacunas com premissas não demonstradas.

Uma estimativa pode ser perfeitamente válida quando é apresentada como estimativa, possui metodologia definida e suas limitações são claramente informadas.

O problema surge quando uma hipótese passa a ser tratada como fato.

Por isso, uma conclusão tecnicamente responsável pode ser:

“Com os documentos apresentados, não é possível mensurar esse efeito com segurança.”

Isso não representa ausência de trabalho técnico.

Representa exatamente o contrário.

É o reconhecimento dos limites da evidência disponível.


Independência técnica também está na conclusão que não encontramos


Quando alguém contrata uma análise, naturalmente existe uma expectativa.

Encontrar uma diferença.

Confirmar uma hipótese.

Demonstrar determinado impacto.

Identificar algum valor.

Mas o compromisso técnico não pode ser com a expectativa.

Precisa ser com aquilo que os dados conseguem demonstrar.

Em alguns trabalhos, a análise confirma a hipótese inicial.

Em outros, altera completamente a compreensão do problema.

E há situações em que simplesmente não existem elementos suficientes para uma conclusão segura.

Todas podem ser respostas tecnicamente válidas.

Porque o papel de uma análise econômico-financeira não é produzir a conclusão desejada.

É testar se ela pode ser sustentada.


Da informação à decisão


Vivemos em um ambiente com enorme disponibilidade de dados.

O desafio profissional já não é apenas ter acesso à informação.

É saber selecioná-la, validá-la, contextualizá-la e compreender até onde ela permite chegar.

Isso vale para uma perícia.

Para um contrato.

Para uma recuperação judicial.

Para um valuation.

Para uma negociação.

Ou para qualquer decisão econômica relevante.

No final, talvez a pergunta mais importante diante de uma planilha não seja:

“Qual é o resultado?”

Mas:

“Quais evidências permitem sustentar esse resultado?”

Porque autoridade técnica não está em afirmar mais.

Está em saber o que pode ser afirmado com segurança — e demonstrar por quê.


Os dados da sua demanda conseguem sustentar a conclusão que está sendo discutida?

A DS Inteligência Econômica atua na análise de contratos, cálculos, operações financeiras, empresas e controvérsias econômico-financeiras, transformando documentos e dados em evidências tecnicamente verificáveis para apoio à tomada de decisão.


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DS Inteligência Econômica

Economia aplicada ao Direito, às empresas e à tomada de decisão.

 
 
 

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